Orquestra XXI e Coro Gulbenkian

27 Abril, 2018 pelas 21h00 (sexta)
na Sé de Viseu


Entrada: 5€ (preço único)

Programa

R. SCHUMAN (1886-1963)
Das Paradies und die Peri

“A minha maior obra e, espero, a minha melhor” foi como Schumann se referiu a Das Paradies und die Peri após a sua estreia. Tratando-se da sua primeira obra para um grande efetivo, com coro, orquestra e solistas, foi provavelmente também aquela que obteve maior sucesso durante a vida do compositor. Após a calorosa receção na estreia, várias apresentações foram imediatamente agendadas e a obra rapidamente se afirmou como uma referência. O libretto, baseado no poema Lalla-Rookh de Thomas Moore, conta a história de uma criatura bela, Peri, que é expulsa do paraíso e que, para lá poder voltar, tem que encontrar na Terra aquilo que é mais querido dos Deuses.
As três partes desta Oratória narram as três tentativas de Peri de encontrar o presente que os deuses exigem, entre campos de batalha e pragas mortais, até finalmente conseguir que as portas do paraíso se abram para a receber. O texto, uma extensa fantasia orientalista que captou o interesse de Schumann (e de Wagner, que confessou ter querido escrever uma ópera com o mesmo texto!) acabou por cair em desuso, mas o estilo extremamente descritivo deste mundo exótico e longínquo foi precisamente o que estimulou a imaginação de Schumann que, nunca cedendo a exageros, criou uma partitura extremamente variada e profundamente expressiva. Quase dois séculos depois, esta obra-prima permanece uma das pérolas do romantismo, absolutamente surpreendente na beleza das melodias e texturas, entre ópera e ciclo de canções, certamente a mais rica partitura para orquestra que Schumann nos deixou.

Biografias

CORO E ORQUESTRA XXI
Estabelecida em 2013, a Orquestra XXI é um projecto que reúne perto de uma centena de jovens músicos portugueses residentes no estrangeiro com o duplo objectivo de manter uma forte ligação entre estes jovens e o seu país de origem e de levar momentos musicais de excelência a um público o mais diversificado possível. Desde a sua estreia em Setembro de 2013, a orquestra tem-se apresentado regularmente nos mais prestigiados palcos nacionais, como a Fundação Calouste Gulbenkian, a Casa da Música e o Centro Cultural de Belém, mas também em locais mais improváveis como os Mosteiros de Tibães e da Batalha, conquistando o público português e a crítica especializada.
Característica da Orquestra XXI é a pluralidade de experiências dos seus elementos, espalhados por cidades como Londres, Paris, Berlim, Zurique, Perm, Madrid e Amesterdão, alguns desenvolvendo a sua actividade profissional em organismos como a Orquestra Sinfónica de Londres, Orquestra Nacional de França e Ópera de Zurique, ou estudando em escolas como a Hoschule für Musik Hanns Eisler ou a Royal Academy of Music. Reunindo-se em Portugal para trabalhar e apresentar uma média de dois programas por ano – em salas privilegiadas dos grandes centros urbanos e em localidades com atividade cultural menos regular – a Orquestra XXI acolhe em estágio, durante as suas residências, um grupo de jovens estudantes dos conservatórios e escolas de música nacionais, oferecendo-lhes a oportunidade de trabalhar no contexto de uma orquestra profissional com um elevado nível de exigência, e proporcionando-lhes a integração de uma rede de contactos que lhes permitirá manter-se mais informados sobre possibilidades relativas ao seu desenvolvimento.
No início do seu quarto ano de actividade, o projecto passou a contemplar também a criação de um Coro, que se estreou no Sonho de Uma Noite de Verão de Mendelssohn e apresentou a Paixão Segundo S. João de Bach em digressão.
Foi esta ideia, de criar uma plataforma que promova oportunidades para que os músicos que têm saído de Portugal possam partilhar as suas experiências com o seu país de origem, que mereceu à Orquestra XXI o 1º Prémio no concurso de empreendedorismo social “Ideias de Origem Portuguesa”, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito da iniciativa FAZ realizada em parceria com a Cotec Portugal, bem como o Alto Patrocínio da Presidência da República.

“Uma orquestra precisa de tempo, ensaios, disciplina e direção galvanizadora – e este resultado, atingido em tão pouco tempo (de ensaios e número de atuações), é um milagre!”
– Jorge Calado in Expresso

“Neste concerto a Orquestra XXI demonstrou uma perfeita consciência de que a partilha é o meio para se atingir uma interpretação cuidada, rigorosa e profundamente expressiva. A disponibilidade física, auditiva e emocional dos membros da orquestra foi elemento fundamental para a eficácia da interpretação, revelando um total envolvimento com o maestro.”
-Pedro M. Santos in Público

DINIS SOUSA
Dinis Sousa vive actualmente em Londres e é fundador e director artístico da Orquestra XXI- projecto vencedor do prémio FAZ-IOP 2013, que reúne músicos portugueses residentes no estrangeiro-, com a qual se apresenta regularmente em Portugal. A orquestra tem aparecido nas temporadas da Fundação Calouste Gulbenkian, Casa da Música e Centro Cultural de Belém, recolhendo grandes elogios da crítica especializada.
Nas últimas temporadas, Dinis Sousa tem dirigido orquestras como a Southbank Sinfonia, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Filarmonia das Beiras, Aurora Orchestra e Orquestra Sinfónica de Londres, que recentemente o convidou para substituir o maestro Daniel Harding num ensaio da 7ª Sinfonia de Sibelius. Com a Orquestra XXI, fez a abertura da Temporada Gulbenkian Música e aparece regularmente no festival “Dias da Música em Belém”, em concertos filmado para a RTP.
Tem trabalhado com o maestro Sir John Eliot Gardiner, enquanto seu assistente em projectos com a Orquestra Sinfónica de Londres, a Orquestra Filarmónica de Berlim, a Tonhalle-Orchester e com o Monteverdi Choir e Orchestre Révolutionnaire et Romantique. Dirigiu o Monteverdi Choir nos BBC Proms numa apresentação da sinfonia coral “Rómeo et Juliette” de Berlioz, onde o coro se apresentava separado da orquestra, dirigida por Gardiner. O concerto foi transmitido pela televisão e rádio da BBC e aclamado pela crítica britânica. Recentemente, foi também assistente em Glyndebourne, onde colaborou na produção de “O Barbeiro de Sevilha”.
Dinis estudou na Guildhall School of Music and Drama, onde exerceu a Fellowship em Direcção de Orquestra. Durante esse período, dirigiu vários agrupamentos, tendo preparado a Guildhall Symphony Orchestra para o maestro Bernard Haitink, dirigido a Paixão Segundo S. João, de Bach, no Milton Court Concert Hall e uma encenação de “Down by the Greenwood Side” de Birtwistle no Silk Street Theatre. Na mesma escola, concluiu a licenciatura e mestrado com distinção, estudando direcção de orquestra com Sian Edwards e Timothy Redmond e piano com Philip Jenkins e Martin Roscoe. Paralelamente, trabalhou em masterclasses com professores como Sequeira Costa, Angela Hewitt, Ralf Gothóni, Richard Egarr, Jean-Sébastien Béreau, entre outros.
A 10 de Junho de 2015, foi condecorado pelo Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva, com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique.

ANNA HARVEY
A mezzo britânica Anna Harvey é Artista Associada da Welsh National Opera esta temporada, onde se apresenta como Orlofsky em Die Fledermaus, entre outros papeis. Em concerto, apresenta-se com grupos como o English Concert, Gabrieli Consort, Arcangelo e Royal Philharmonic Orchestra. Foi vencedora do Prémio Oratória e Prémio do Público na Grande Final do Concurso Internacional de Hertogenbosch.
Nas últimas temporadas, destacaram-se apresentações na Ópera Nacional da Holanda, Theater Chemnitz, Ópera Nacional Alemã de Weimar e Theater Nordhausen. Apresentou-se também na última noite dos BBC Proms, no Festival Verbier e gravou para a Hyperion com Jonathan Cohen.
Em concerto, Anna Harvey trabalhou com maestros como Massaki Suzuki, Nicholas Cleobury e Jane Glover, e orquestras como a Hallé, Royal Philharmonic Orchestra, BBC Concert Orchestra, London Mozart Players, English Chamber Orchestra, em salas como o Royal Festival Hall, Royal Albert Hall e o Lincoln Center em Nova Iorque. Em recital, Anna Harvey tem aparecido em salas como o Wigmore Hall, St. George’s Hannover Square, Garrick Club, entre outras. Gravou o Messiah de Handel para a BBC Radio 2 e canções de Schubert para a BBC Radio 3.
Anna frequentou o curso de ópera da Royal Academy of Music, estudando com Elizabeth Ritchie e Iain Ledingham, terminando o curso com o Alumni Development Award, para além de ter recebido as bolsas Fordyce e Dame Kiri Te Kanawa.

JAMES GILCHRIST
James Gilchrist começou a sua vida profissional como médico, tornando-se músico a tempo inteiro em 1996. O seu interesse pela música começou muito cedo, primeiro enquanto coralista no New College, Oxford, e mais tarde enquanto “choral scholar” no King’s College, Cambridge.
A sua carreira levou-o às maiores salas do mundo, com maestros como Sir John Eliot Gardiner, Sir Roger Torrington, Bernard Labadie, Harry Christophers, entre outros. Nas últimas temporadas, destacam-se apresentações das Church Parables de Britten em S. Petersburgo, Londres e no Festival de Aldeburgh, Das Paradies und die Peri de Schumann e a Criação de Haydn na Gewandhaus Leipzig, War Requiem de Britten com a Orquestra Sinfónica de S. Francisco, entre outros. Nas paixões de J. S. Bach, James Gilchrist apresenta-se regularmente ao mais alto nível e é reconhecido como o maior evangelista da sua geração.
A sua extensa actividade em recitais tem contado com um programa variado, em colaborações com os pianistas Anna Tilbrook e Julius Drake. Destaques das últimas temporadas incluem uma Schubertiade em St. Johns Smith Square e a Schwanengesang com An die Ferne Geliebte no Wigmore Hall. Recentemente James Gilchrist regressou ao Wigmore Hall com um projeto sobre Schumann e os Românticos Ingleses.
A sua discografia inclui o papel principal em Albert Herring, a Paixão Segundo S. João com a Academy of Ancient Music, as Winter Words de Britten e Paixão Segundo S. Mateus com Sir John Eliot Gardiner.

SÓNIA GRANÉ
A jovem soprano Sónia Grané estreou-se recentemente no Teatro alla Scala com a estreia mundial de uma ópera de Sciarrino Ti vedo, ti sento, mi perdo, sob a batuta de Maxime Pascal e encenação de Jürgen Flimm. Sónia já cantou também por duas vezes no prestigiado Festival de Verão de Bregenz – em 2015 foi Despina (Cosi fan tutte) e em 2017 foi Frasquita (Carmen) numa encenação de Kasper Holten. Em Dezembro de 2017 a soprano terá uma outra estreia, desta vez como Rainha da Noite (Die Zauberflöte) na Staatsoper Unter den Linden, em Berlim.
Nas temporadas 2013 – 17, após dois anos no estúdio de opera internacional de Berlim, Sónia fez parte do Ensemble de Solistas da Staatsoper de Berlim. Enquanto membro cantou diversos papéis, incluindo Papagena (Die Zauberflöte), Masha (Moskau Tscherjomuschki), Ännchen (Der Freischutz), Barbarina (Le Nozze di Figaro), Flora (Turn of The Screw) e Blonde (Die Entführung aus dem Serail).
Desde que começou a sua carreira internacional, Sónia tem tido o privilégio de trabalhar tanto com maestros de renome – Daniel Barenboim, Pablo Heras-Casado, Gustavo Dudamel, Christopher Moulds, Trevor Pinnock, Lawrence Cummings, Simone Young – como encenadores reconhecidos – Claus Guth, Dimitri Tcherniakov, Michael Talheimer e Hans Neuenfels.
Para além de ópera, a soprano Sónia Grané apresenta-se também como solista em recitais e oratórias, como Requiem de Brahms, Oratória de Natal, diversas Cantatas de Bach, Paixão de S. João, entre outras. O seu repertório abrange obras desde o Barroco até ao Contemporâneo. Sónia tem trabalhado frequentemente com o compositor David Robert Coleman, tendo estreado tanto uma ópera sua – Hans um Glück – como um ciclo para canto e orquestra. Esta última estreia deu-se na Filarmonia de Stettin, na Polónia. O facto de ser solista nestas plataformas permitiu-lhe já ter cantado em numerosas salas como Wigmore Hall, King’s Place, St. John’s Smith Square e Purcell Room.
Sónia Grané obteve a sua formação musical na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, com Manuela de Sá e José Manuel Brandão, e na Royal Academy of Music em Londres, com Lillian Watson e Jonathan Papp. A jovem soprano foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian (2009 – 2013) e da Liz Mohn Musikstiftung durante o seu tempo no estúdio de ópera da Staatsoper de Berlim.

DIOGO MENDES
Diogo Pinhão Mendes nasceu e cresceu em Augsburgo, uma cidade no sul da Alemanha. Com 5 anos começou a formação musical no coro dos “Augsburger Domsingknaben” (pequenos cantores da catedral de Augsburgo). Aos 20 anos entrou na Escola Superior de Música Felix-Mendelssohn Bartoldy em Leipzig, na classe do professor Jürgen Kurth.
Já participou em concertos na Gewandhaus de Leipzig, na Schumann-Haus e na Thomaskirche em Leipzig, como solista no Festival de Bach. Diogo Mendes teve a sua estreia em ópera no papel de Conde de Eberbach/Graf Eberbach em “Der Wildschütz” de Albert Lortzing. Para além disso, interpretou os papéis de príncipe Ottokar/Fürst Ottokar em “Freischütz” de Carl Maria von Webers, e como o papel-título da opera “Ein Landarzt” de Hans Werner Henze. Em 2014 estreou-se na ópera de Leipzig com o Papel de “Marquis d’Obigny“ na obra La Traviata de Giuseppe Verdi.
Em Outubro de 2016 começou o Mestrado em Leipzig com o Kammersänger Prof. Roland Schubert, decano da Escola Superior de Música “Felix-Mendelssohn Bartoldy“. Tem tido a oportunidade de participar em masterclasses com músicos como Graham Johnson, Elly Ameling, Jonathan Alder, Wolfram Reger e Alexander Schmalcz.
Diogo Mendes ganhou o Primeiro Prémio no concurso Albert Lortzing em Leipzig e o Segundo Prémio no Concurso Internacional Johannes Brahms na Áustria.

LEONOR AMARAL
Soprano de coloratura, estudou canto em Colônia, Dusseldórfia e Lubeque. Frequentou o estúdio de ópera internacional de Lubeque, onde se estreou com os papéis de Gretchen em Wildschütz E Mi em Das Land des Lächelns (entre outros). Após acabar os seus estudos com distinção, integrou o elenco como solista no Teatro Nordhausen, onde atuou pela primeira vez como Musetta em La Bohéme e Marie em Zar und Zimmermann.
Cantou também papéis na área da música barroca, onde se destacam a Morgana em Alcina, Armida em Rinaldo e Dido em Dido and Aeneas.
Foi finalista do concurso internacional de canto Neue Stimmen (2015), assim como do concurso de canto barroco Cesti-Competition (2017). Foi também bolseira da associação Live Music Now Köln.
Colaborou com algumas das mais prestigiadas orquestras internacionais, tais como a Württembergischen Kammerorchester, com quem se apresentou como Sandmann e Taumman na ópera Hänsel und Gretel, a Concerto Stella Matutina, com a ópera Fairy Queen, e o Pera Ensemble. Atuou em salas como Konzerthaus Berlin, Kölner Philharmonie, Aaltotheater Essen, Gasteig München e Monforthaus Feldkirch.
Em 2014 teve a honra de apresentar a peça contemporânea Hommage a T.S. Eliot na presença da compositora, Sofia Gubaidulina. Em 2017 estreou-se no Teatro Wuppertal na ópera contemporânea AscheMOND oder The Fairy Queen de Helmut Oehring.
Na temporada 2017/2018 irá estrear-se como Constance em Dialogues des Carmélites e Adele em Die Fledermaus no Teatro Nordhausen e como Clorinda em La Cenerentola no festival de ópera de Hallwyl na Suíça (entre outros).

CORO GULBENKIAN
Fundado em 1964, o Coro Gulbenkian conta presentemente com uma formação sinfónica de cerca de cem cantores, actuando igualmente em grupos vocais mais reduzidos, conforme a natureza das obras a executar. Assim, o Coro Gulbenkian apresenta se tanto como grupo a cappella, interpretando a polifonia portuguesa ou estrangeira dos séculos XVI e XVII, como em colaboração com a Orquestra Gulbenkian ou outros agrupamentos, para a execução de obras coral sinfónicas do repertório clássico, romântico ou contemporâneo. Na música do século XX, campo em que é particularmente conhecido, tem interpretado, frequentemente em estreia absoluta, inúmeras obras contemporâneas de compositores portugueses e estrangeiros. Tem sido igualmente convidado para colaborar com as mais prestigiadas orquestras mundiais, entre as quais a Philharmonia de Londres, a Freiburg Barockorchester, a Orquestra Sinfónica de São Francisco, Orquestra do Século XVIII, a Filarmónica de Berlim, a Sinfónica de Baden Baden, a Sinfónica de Viena, a Sinfónica do Norte da Alemanha, a Filarmónica Checa, a Filarmónica de Estrasburgo, a Filarmónica de Montecarlo, a Orquestra do Concertgebouw de Amesterdão e a Orquestra Nacional de Lyon, ao lado das quais foi dirigido por figuras como Claudio Abbado, Colin Davis, Emmanuel Krivine, Esa-Pekka Salonen, Frans Brüggen, Franz Welser Möst, Gerd Albrecht, Michael Gielen, Michael Tilson Thomas, Rafael Frübeck de Burgos, René Jacobs e Theodor GuschIbauer.
Para além da sua apresentação regular na temporada Gulbenkian Música, em Lisboa, e das suas digressões em Portugal, o Coro Gulbenkian tem actuado em numerosos países em todo o mundo, entre os quais Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda, Hungria, Índia, Inglaterra, Iraque, Israel, Itália, Japão, Macau (quando sob administração portuguesa), Malta, Mónaco, Reino Unido e Uruguai.
Em 1992 uma digressão em várias cidades da Holanda e da Alemanha com a Orquestra do Século XVIII deu origem à gravação ao vivo da Nona Sinfonia de Beethoven, que foi incluída na edição integral das sinfonias de Beethoven que Frans Brüggen realizou para a Philips com aquela orquestra. Seria o início de uma estreita colaboração entre os dois agrupamentos, com diversas digressões conjuntas e actuações na Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Holanda, Japão e China (Hong Kong), onde aliás colaborou igualmente com a Orquestra Filarmónica local.
O Coro Gulbenkian tem participado em alguns importantes festivais internacionais, salientando-se as suas actuações no Festival Eurotop (Amsterdão), no Festival Veneto (Pádua e Verona), no City of London Festival, no Festival Internacional de Música de Granada e no Hong Kong Arts Festival, entre outros. Na temporada 2010-11 o Coro Gulbenkian realizou uma digressão internacional da ópera Così fan tutte de Mozart com a Orquestra Barroca de Freiburgo, sob a direcção de René Jacobs, tendo actuado em Bruxelas (Palais des Beaux Arts), em Lisboa (Grande Auditório Gulbenkian) e em Paris (Salle Pleyel), com expressiva aclamação por parte do público e da crítica. Em Janeiro de 2011 actuou com a Orquestra Gulbenkian, dirigida por Esa-Pekka Salonen, numa produção multimédia da ópera Da Casa dos Mortos de Leos Janácek. Em Fevereiro 2011 apresentou-se em Londres, no Royal Festival Hall, com a Philharmonia de Londres, dirigida por Esa-Pekka Salonen, interpretando a Cantata Profana de Bela Bartók, no âmbito do ciclo anual dedicado à música de Bartók levado a cabo por aquela orquestra.
A discografia do Coro Gulbenkian está representada nas editoras Philips, Archiv / Deutsche Grammophon, Erato, Cascavelle, Musifrance, FNAC Music e Aria Music, tendo ao longo dos anos registado um repertório diversificado, com particular incidência na música portuguesa dos séculos XVI a XX. Algumas destas gravações receberam prémios internacionais, tais como o Prémio Berlioz, da Academia Nacional Francesa do Disco Lírico, o «Grand Prix International du Disque», da Academia Charles Cros, e o «Orphée d’Or», entre outros. Por ocasião do cinquentenário da morte de Luís de Freitas Branco, assinalado em 2005, o Coro Gulbenkian gravou a primeira integral dos Madrigais Camonianos do compositor. Em 2006 gravou para a editora Portugaler um disco de obras a cappella de Pero de Gambôa e Lourenço Ribeiro e outro CD de Vilancicos Negros do Século XVII, de Santa Cruz de Coimbra. Em 2010 gravou para DVD a Missa Solemnis de Beethoven, com a Orquestra de Câmara da Europa, dirigida por John Nelson, tendo esta actuação sido transmitida em directo pela plataforma audiovisual. (www.medici.tv)
Desde 1969, Michel Corboz é o Maestro Titular do Coro, sendo atualmente as funções de Maestro Adjunto desempenhadas por Jorge Matta, e de Maestro Assistente por Paulo Lourenço.

MICHEL CORBOZ
A entrada de Michel Corboz no universo da música encontra-se profundamente ligada ao seu fascínio pela voz e pelas obras escritas no domínio da música vocal. Consequentemente dirigiu, ao longo da sua carreira, pelo mundo inteiro, as grandes oratórias e outras obras que incluem coro, solistas e orquestra.
Depois de fundar o Ensemble Vocal de Lausanne, em 1961, as inúmeras distinções concedidas e o acolhimento entusiasta da imprensa às suas gravações das Vésperas e do Orfeo de Monteverdi (1965 e 1966) marcaram o início de uma longa carreira que evoluiu naturalmente, sem ambições particulares, enriquecendo-se todos os anos com uma nova obra.
Em 1969, Michel Corboz foi nomeado Maestro Titular do Coro Gulbenkian, cargo que vem exercendo com inexcedível competência há quarenta anos. À frente do Coro Gulbenkian, realizou um grande número de concertos e gravações, tendo assim colocado em destaque as qualidades fundamentais do agrupamento e contribuído decisivamente para a sua projeção nacional e internacional.
A discografia de Michel Corboz conta com mais de cem títulos, muitos deles distinguidos com prémios internacionais do disco. Neste domínio salientam-se as grandes obras sacras de Bach e de Mozart, La Selva Morale de Monteverdi, as oratórias de Mendelssohn e os Requiem de Brahms, Fauré, Duruflé e Verdi. Na Ópera de Lyon recriou Ercole Amante de Cavalli, obra composta para o casamento de Luís XIV, bem como David et Jonathas de Charpentier. No domínio da ópera, dirigiu L’Incoronazione di Poppea, Il ritorno d’Ulisse in patria e ainda Orfeo de Monteverdi.
Em Dezembro de 1999, Michel Corboz foi condecorado pelo Presidente da República Portuguesa com a Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique.

O concerto