Ventos do Atlântico

08 Dezembro, 2020 pelas 19h00 (terça)
na Igreja da Misericórdia

Concerto live streaming em: www.musicadaprimavera.pt // Youtube // Facebook

Programa

ISABELLA LEONARDA (1620‐1704)
Sonata Prima – Allegro; Largo; Adagio; Aria Allegro; Vivace

ANTONIO VIVALDI (1678–1741)
Triosonata TV 80 – Allegro; Larghetto; Allegro

BERNARDO STORACE (1637-1707)
Ciaconda

J. K. FISCHER (1656‐1746)
Preludio e Chacone

ALESSANDRO SCARLATTI (1660‐1725)
Quartettino em Fá M – Adágio; Allegro; Minuetto

J. C. PEPUSCH (1667‐1752)
Concerto nº 2, op. 8 – Vivace; Grave; Presto

Ficha Artística

Alexandre Andrade – Flauta Traversa
Rui Correia – Flauta Traversa
António Vidal – Oboé Barroco
Joana Almeida – Fagote Barroco
Rui Soares – Órgão/Cravo

Mecenas: Santa Casa da Misericórdia


Notas do programa

Desde o séc. XVII em todo o país residem testemunhos da prática musical em igrejas, mosteiros, conventos, um pouco por todo o território nacional, associado ao órgão e outros instrumentos. Queremos desta forma, reforçar esta mesma prática, hoje, salientado os instrumentos de sopro, tais como a flauta, oboé e fagote, instrumentos devidamente identificados na prática musical por exemplo do Mosteiro de Arouca, Lorvão e Santa Cruz de Coimbra. Às sonoridades mais densas e sustentadas do órgão sempre que possível os compositores da época associaram os oboés à sua escrita bem como as flautas permitindo assim um maior contraste e riqueza sonora revestido pela cor mais intimista destes sopros.

ISABELLA LEONARDA – Foi o nome escolhido por Isabella Calegari quando se tornou freira, nasceu e morreu em Itália e é uma figura notável na história da música ocidental. Na altura, era incomum encontrar uma mulher italiana do século XVII a compor música instrumental sem texto, normalmente estas escreviam apenas música vocal, Isabella escrevia ambas. Calegari, filha de um aristocrata italiano do século XVII, nasceu na cidade de Novara em 1620. Aos 16 anos, Isabella entrou no convento de Santa Orsala (Ursala), doravante conhecida como Leonarda. É possível, embora não comprovado, que Gasparo Casati, mestre de música na Catedral de Novara, fosse seu professor de música. Os motetos sagrados latinos formam a espinha dorsal da obra de Leonarda, mas compôs também salmos, missas, magnificats, entre outros. Algumas destas composições contêm partes instrumentais, apoiando as linhas vocais e, outras vezes, sem voz. Escreveu também obras estritamente instrumentais: 11 sonatas para dois violinos (ou outros instrumentos) e baixo contínuo e uma sonata solo para violino e contínuo, publicadas todos juntas em 1693.

A. SCARLATTI – Considerado o grande compositor da escola napolitana de ópera, fazendo também parte desta escola os compositores como G. Pergolesi, L. Leo, entre outros. Pai de D. Scarlatti a sua influência esta bem patente na escrita adotada pelos seus filhos, Domenico e Pietro. Para este programa trazemos uma obra camerística para 3 instrumentos melódicos e baixo­‐continuo.

BERNARDO STORACE – Compositor italiano sobre o qual pouco se conhece sobre sua vida. A única coleção de música manuscrita sobrevivente contém um conjunto notável de variações para instrumento de tecla. Trata‐se de um dos maiores vultos representando uma época transitória entre Girolamo Frescobaldi e a de Bernardo Pasquini. A Ciaconda aqui apresentada reflete o domínio do contraponto e da complexidade rítmica no género das variações de meados do século XVII venezianos.

J. K. FISCHER – Compositor alemão talvez nascido na boémia, na verdade no plano musicológico não temos muitas referências. Na sua época Fischer foi considerado um dos melhores compositores para teclas. No entanto parte devido à escassez das suas obras sobreviventes a sua música raramente é contemplada nas salas de concerto. Grande parte da sua escrita reflete um nítido predomínio da música francesa, nomeadamente a de J. B. Lully. Compositores como Handel e J. S. Bach acabaram por reconhecer na sua vida e obra uma certa influência pela escrita de Fischer.

J. C. PEPUSCH – Da sua obra tudo indica que os 6 concertos op. 8, foram publicados pela primeira vez em Amesterdão no ano de 1718. Após 300 anos, este conjunto de peças é agora revisitado, na apresentação do concerto nº 2, em Sol M. Compositor, musicólogo e teórico, nascido na Alemanha, em 1667, na década de 1710 viajou para Inglaterra onde viria a exercer importantes cargos na vida musical da época, no entanto, a sua visibilidade seria sempre algo limitada devido à figura central ocupada pelo seu amigo G. F. Handel. O concerto estruturada em 3 andamentos (Vivace, Grave e Allegro) não é muito extenso, antes pelo contrário, estabelece uma relação de pergunta ­‐ resposta entre as flautas e oboé, através de linhas melódicas simples, diretas e objectivas, sustentado por um baixo­‐continuo bem estruturado.

Biografias

ALEXANDRE ANDRADE
Natural de Santa Maria da Feira, é professor auxiliar do I.S.E.I.T ­‐ Viseu, Instituto Piaget (Portugal), professor Convidado da Universidade Federal de Alagoas e Universidade Federal da Bahia (Brasil) e prof. de Flauta no Conservatório de Música da JOBRA (Portugal). É Licenciado em Ensino de Flauta Transversal (Universidade de Aveiro) em 1995, na classe de Pedro Couto Soares, realizou o Mestrado em Performance na Irlanda (Waterford Institute of Technology) em 1997, tendo estudado música antiga com Rachel Brown. Doutorou‐se em Música (Universidade de Aveiro) em 2005, dedicando a sua tese A PRESENÇA DA FLAUTA TRAVERSA EM PORTUGAL DE 1750 A 1850, seu repertório e performance do traverso na 2ª metade do séc. XVIII e 1ª metade do séc. XIX. Em novembro de 2013, no âmbito do programa Erasmus realizou uma master classe e seminário no Real Conervatório Superior de Música de Madrid para as classes de Traverso e Flauta Moderna. Em setembro de 2016, concluiu o Mestrado em Interpretação -­ Música Antiga ‐ Traverso, na ESMAE (Porto) na classe do prof. Olavo Barros. Também trabalhou em Orquestra Barroca com os professores Pedro Sousa e Silva, Ana Mafalda Castro, Benjamim Chénier e Marco Ceccato. Membro dos agrupamentos Ensemble Ars Iberica, Iberian Ensemble, Ventos do Atlântico e Camerata Galante tem realizado concertos, e formação, na área da Música Antiga em Portugal, Espanha, Inglaterra e Brasil.

RUI CORREIA
Nasceu em Arouca, Iniciou os seus estudos musicais na escola de música da Banda Musical de Arouca com o prof. Valdemar Noites. Frequentou o Curso de Flauta Transversal no Conservatório de Música do Porto, na classe da Prof. Iwonna Saiote. Ingressou na Banda Sinfónica do Exército em 1995. Em 2005 profissionalizou se em Ensino da Música pela Universidade de Aveiro. Estudou com os professores, Maurício Noites, Estvan Matuz, Patrick Gallois, Angelina Rodriguês, Jorge Salgado, Felix Rengli, Olavo Barros, Luis Meireles e Jorge Caryevschi. Em 2001 participou no XVIII Curso Internacional de Jovens Músicos, onde desempenhou funções de solista na Orquestra. Toca com a Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra Clássica do Centro e Clássica do Sul. É membro da IMMS (International Military Music Society).
Iniciou o curso de Mestrado em Música na Universidade de Aveiro e concluiu o Master of Arts in Music na American Musicological Society ,com distinção em Musica Barroca. Faz parte do serviço educativo da Casa da Música – Porto. Possui o certificado de formador nas áreas de música e formação de professores do concelho científico da universidade do Minho. Atualmente estuda direção de orquestra e banda, em Espanha. É Fundador a (APF) Associação Portuguesa de Flauta. Foi-­lhe conferido o Diploma de Honra ao Mérito pelos Relevantes Serviços Prestados à Cultura, em 4 de Outubro de 2006. Foi coordenador da área da música, no Ministério da Cultura no XVII e XVIII Governo Constitucional de Portugal. É professor afeto ao Ministério da Educação (Portugal). Integra o grupo de pesquisa e metodologia e conceção social do ensino instrumental – UFAL, no Brasil. É co‐autor do livro “A Forja de um Maestro” de Francisco Navarro Lara, lançado em junho de 2018.

ANTÓNIO VIDAL
No ano letivo 2012/13, ingressou no Curso de Instrumentista de Sopro e Percussão na escola profissional do CMJ na classe dos professores Jean-­Michel Garetti (10º) e Ana Madalena Silva (11º e 12º). Já trabalhou com oboístas de renome, tais como: Fernanda Amorim, Jean­‐Michel Garetti, Robert Silla, Jean-­Luc Fillon, Jean­‐Marie Poupelin, Sara Amorim, Pedro Ribeiro, Ricardo Lopes e Samuel Bastos. Em contexto de orquestra já trabalhou com: Jaroslav Mikus, Alberto Roque, Paulo Martins, Carlos Marques, André Granjo, Capitão João Cerqueira, José Pedro Figueiredo, José Eduardo Gomes, Hélder Tavares e Armando Saldarini. No ano letivo 2015/16 ingressou na ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo) no Curso de Música Antiga ­‐ Oboé na Classe do professor Pedro Castro. No contexto da Música Antiga, já teve a oportunidade de ter masterclasse com o oboísta Alfredo Bernardini. Também participa em todos os eventos de Música Antiga da ESMAE como em situação profissional, já tendo tocado obras de Bach, Händel, Heinichen, Rebel, Telemann, Zelenka e de autores portugueses como por exemplo Francisco António de Almeida, entre outros. Em 26/02/2017 teve a oportunidade de tocar o último andamento do Concerto em Sol menor de Händel a solo com orquestra no concerto de encerramento da AJMB (Academia Junior de Música Barroca) que tem como objetivo dinamizar a Música Antiga entre os jovens. No ano letivo 2017/18 frequentou o Koniklijk Conservatorium em Haia nas classes dos professores Frank de Bruine e Wouter Verschuren, este último com especial foco em instrumentos renascentistas de palheta dupla (charamela e baixão) no âmbito do projeto ERASMUS+. No ano letivo 2018/19 concluiu o recital final de licenciatura onde interpretou obras de Couperin, Krommer e Zelenka obtendo a classificação final de 18 valores.

JOANA ALMEIDA
Natural de Vale de Cambra, Aveiro, frequenta o mestrado em ensino da música na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do Porto, especializou­‐se em música antiga durante a sua licenciatura, na mesma instituição. Iniciou os seus estudos em fagote, no Conservatório de Música da JOBRA, de seguida ingressou na Licenciatura em Música Antiga – variante fagote barroco, entretanto integrou o programa ERASMUS, no Royal Conservatory of The Hague (Holanda), durante um ano, na classe de Donna Agrell (Fagote Barroco e Clássico) e Wouter Verschure (Dulciana/Baixão). Trabalhou também com outros fagotistas barrocos, tais como, Melodie Michel, Benny Aghassy e Giorgio Mandolesi. Participou no projecto de várias escolas de Música Antiga Europeias “La Follia ‐ Intensive Programme in Cosenza” (Itália), assim como no workshop “Regensburg Manuscript” em Utrecht (Holanda). Tem vindo a frequentar anualmente o Curso Internacional de Música Antiga do Porto, organizado pela ESMAE e o Curso Internacional de Música Antiga de Idanha-­a­‐Velha, organizado pelo cravista João Paulo Janeiro. Trabalhou em orquestra e essemble com Pieter-Jan Belder, Kate Clark, Teunis van der Zwart, Amandine Beyer, Pedro Sousa Silva, Ana Mafalda Castro, Magna Ferreira, Charles Toet, Marco Ceccato, Alessandro Ciccolini, Peter Spissky, João Paulo Janeiro, Benjamin Chénier, Hugo Sanches, Tiago Simas Freire, Gilbert Camí Ferrás, Ronaldo Lopes, Miro Moreira, Francisco Luengo, entre outros. Colaborou, enquanto docente, na Academia Júnior de Música Barroca, evento organizado pelo Curso de Música Antiga da ESMAE e no Conservatório de Música da JOBRA, em Formação e Contexto de Trabalho (FCT) com o tema Música Antiga. Atualmente, toca Baixão (fagote renascentista) no grupo “O Bando de Surunyo”, fagote barroco na “Camerata Lusitanea” e “Iberian Ensemble” e é membro fundador de um sexteto de sopros barroco (duas trompas, dois fagotes e dois oboés) Norte de Portugal, participa também em projetos com a orquestra Norte do Sul e é convidada para outros, tais como recreações históricas, concertos com o coro da universidade de Santiago de Compostela e projetos com a MAAC – Música Antiga Associação Musical e Orquestra Barroca da Casa da Música.

RUI FERNANDO SOARES
Natural de Fiães, concelho de Santa Maria da Feira, Rui Soares é organista e cravista. Ainda muito novo foi admitido, como exceção (com 14 anos) na Escola de Ministérios Litúrgicos – Diocese do Porto – onde frequentou o Curso de Música Litúrgica. Em 2005, sob orientação do Prof. Luca Antoniotti, concluiu o Curso Complementar de Órgão no Conservatório Regional de Gaia. Paralelamente, com a Professora Ana Mafalda Castro, frequentou o Curso Livre de Cravo na ESMAE – Porto. Em 2006 concluiu o III Curso Nacional de Música Litúrgica na vertente Direção. É licenciado em Música Sacra pela Escola das Artes – Universidade Católica Portuguesa, onde concluiu a Disciplina de Órgão com nota máxima na classe do Prof. Luca Antoniotti. É membro fundador do Quarteto Vocal Gaudium Vocis e dirige o Grupo de Câmara Ulphilanis. Em 2012 finalizou o grau de Mestrado em música antiga no Conservatório de Amesterdão com a distinção “Cum laude” onde estudou cravo na classe do Prof. Tileman Gay, órgão na classe do Prof. Pieter Van Dijk e estuda regularmente com o Prof. Ton Koopman. É organista na Igreja da Senhora da Conceição no Porto e responsável pelos concertos diários na Igreja dos Clérigos da mesma cidade. Para além de inúmeros concertos em Portugal, já atuou em Espanha, França, Suíça, Itália e Holanda.