Trio de Pedro Caldeira Cabral

5 Abril, 2019 pelas 21h00 (sexta)
no IPV, Aula Magna


Entrada: 5€ ou 2.5€ para público afeto ao Conservatório

Programa

ANTÓNIO VIEIRA DOS SANTOS (1784-1854)
atr. Fofa da Rozinha

MANUEL JOSÉ VIDIGAL (1763-1827)
Cotilhão

ANÓNIMO (c.1830)
Modinha

JOSÉ MARIA DOS CAVALINHOS (fl.1850-70)
Fado Conde da Anadia

LUÍS CARLOS DA SILVA PETROLINE (1859-1934)
Fado-Valsa

ANTHERO DA VEIGA (1866-1960)
Bailados do Minho

GONÇALO PAREDES (1873-1915)
Valsa Triste

MANUEL RODRIGUES PAREDES (1874-1948)
Maxixe Poiarense

ANDRÉ VICTOR CORREIA (1888-1948)
André de Sapato Novo

ARMANDO FREIRE (1891-1946)
Variações em Lá menor

ARTUR PAREDES (1899-1980)
Variações em Mi menor

CARLOS PAREDES (1925-2004)
Serenata

CARLOS PAREDES/ P. C. CABRAL
Verdes Anos

PEDRO CALDEIRA CABRAL (n. 1950)
Balada da Oliveira
Baile dos Carêtos

Ficha Artística

Pedro Caldeira Cabral – Cítara Portuguesa
Joaquim António Silva – Violão
Duncan Fox – Contrabaixo

Mecenas: Publiferrão


Pedro Caldeira Cabral apresenta o espetáculo “Guitarristas Lendários”: “A Cítara portuguesa é hoje em dia um instrumento musical indissociável das práticas musicais ligadas ao fado de Lisboa e à canção de Coimbra, tendo em ambas as tradições citadinas sido cultivada ativamente por executantes-compositores, sendo alguns deles figuras lendárias que nos legaram nos últimos dois séculos um património popular de inegável valor artístico.
A palavra fado (do lat.fatum = destino) foi aplicada no século XIX às canções criadas por uma figura social caracteristica de Lisboa: O Fadista, (sin. de malandro, sem profissão certa, amante de zaragatas e companheiro de prostitutas, etc.), cujos textos muitas vezes improvisados ao som da cítara, narravam as vidas desgraçadas e crenças no destino dos seus criadores e intérpretes originais, atores de uma marginalidade social, cuja canção típica rapidamente foi recuperada e transformada pelas classes dominantes em formas musicais e poéticas de maior grandeza.
A cítara portuguesa dos finais do século XVIII, socialmente desqualificada, era o instrumento ideal para a execução do fado, dadas as caracteristicas peculiares do seu timbre e da expressividade melancólica obtida com recurso a técnicas particulares de ornamentação e de vibrato (o chamado gemidinho).
Os três géneros principais associados à cítara, como era então chamado o instrumento, eram o fado batido (danças da fofa, chula, lundum e umbigada), o fado cantado e as variações instrumentais.
Em 1858 é publicado no Porto a obra de Fétis “A Música ao Alcance de Todos”, cuja tradução contém um glossário de José Ernesto de Almeida, no qual se descrevem a Cítara e a Guitarra da época com a descrição das diferenças no número de cordas, nas afinações e técnicas destes dois instrumentos bem como uma referência ao estatuto social diferenciado dos seus utilizadores.
A partir de 1870 realizam-se concertos regulares de Cítara em salões públicos, cafés e teatros, ficando nos anais da história o que se efetuou no Casino Lisbonense em 1873 e que contou com a presença de doze instrumentistas de grande nomeada.
O século XX assistiu à requalificação social e musical do instrumento, entretanto elevado à categoria de símbolo identitário, frequentemente incluído em representações pictóricas eruditas (de Mário Eloy e Cândido da Costa Pinto a Júlio Pomar e Graça Morais), citado pelos mais famosos poetas (de Fernando Pessoa e Sophia de Mello Breyner Andersen a Manuel Alegre).
Evocamos neste programa o contributo decisivo de gerações sucessivas de criadores e intérpretes que com o seu talento e virtuosidade musical, marcaram as diferentes épocas, inscrevendo-se na história da cítara popular como verdadeiras figuras lendárias, inspiradoras da renovação instrumental das gerações presentes e futuras.
Concluindo, a Cítara Portuguesa de hoje entrou definitivamente na categoria de instrumento de concerto, apreciada internacionalmente, representada por um conjunto vasto de intérpretes, apostados na divulgação das várias vertentes que constituem o seu reportório, bem ilustrado no programa deste concerto.”

Biografias

PEDRO CALDEIRA CABRAL
Nasceu em Lisboa em 1950. Inicia os estudos musicais na infância em ambiente familiar, começando a tocar flauta de bisel, guitarra clássica e guitarra portuguesa.
Mais tarde estuda teoria musical, contraponto, harmonia e composição com os professores Artur Santos e Jorge Peixinho. Desenvolve como compositor, um estilo próprio para guitarra solista compondo igualmente peças de música de câmara para Teatro, Cinema e Bailado.
Tem-se apresentado na qualidade de solista em inúmeros concertos nas principais salas e festivais da Europa, E.U.A., Turquia, Tunísia, Marrocos, Brasil, Colombia e China.
Foi responsável pela direção artística do Festival de Guitarra Portuguesa na Expo’98, em Lisboa. Em 1999 foi publicado o livro “A Guitarra Portuguesa” de sua autoria, primeira monografia sobre as origens, evolução histórica e reportório do instrumento nacional.
Em 2002 produziu e apresentou a exposição “À Descoberta da Guitarra” no Museu Abade de Pedrosa, integrada no Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso.
Da sua vasta discografia salienta-se a produção e publicação de dezasseis álbuns como solista de guitarra portuguesa. Foi galardoado com o Prémio Carlos Paredes 2014, pelo CD duplo “Labirinto da Guitarra-Antologia” (Primetime, 2013).

JOAQUIM ANTÓNIO SILVA
Nasceu em Óbidos em 1956. Músico autodidacta, poli-instrumentista, tem exercido esta atividade paralelamente à sua vida profissional como fotógrafo e professor. Frequentou cursos de direção coral com Mário Mateus e Fernando Lopes-Graça.
Desde 1979 que se interessou pela Música Antiga, dedicando-se ao estudo do alaúde e outros instrumentos instrumentos em uso na idade-média e renascimento.
Integra desde 1986 o grupo La Batalla e desde 1991 o Concerto Atlântico, ambos dirigidos por Pedro Caldeira Cabral, e com os quais se apresentou em inúmeros concertos em Portugal e nos festivais de Utrecht (Holanda), Clerckenwell (Inglaterra) e outras cidades estrangeiras.
Integra igualmente, como acompanhador, o trio de Pedro Caldeira Cabral, tendo participado em concertos em Portugal, Holanda, Irlanda, Noruega, Alemanha, França, Rússia, Brasil, Colombia e China. Tem-se também dedicado ao estudo e práticas da música tradicional, nomeadamente ao reportório de dança e instrumentos tradicionais da Estremadura e ao trabalho de direção coral de grupos amadores.

DUNCAN FOX
Nasceu em Inglaterra em 1970, tendo feito estudos musicais entre 85 e 88 na Junior School-Royal Academy of Music, frequentando a classe de Contrabaixo sob orientação do professor Emmanuel Shulmann.
Entre 88 e 92 efetuou estudos superiores no Royal Northern College of Music em Manchester, trabalhando o Contrabaixo (Prof. Duncan Mc Tier), o Piano (David Lloyd) e a Viola da Gamba (Richard Boothby).
Integrou a Manchester Camerata, Goldberg Ensemble e a Opera North Orchestra.
Desde 1993 vive e trabalha em Lisboa, integrando a Orquestra Sinfónica Portuguesa (Coordenador de Naipe Adjunto) e o Concerto Atlântico.