Mário Laginha e Pedro Burmester

7 Abril, 2018 pelas 21h00 (sábado)
no Teatro Viriato


Entrada: 5€ (preço único)

Programa

ASTOR PIAZZOLLA (1921-1992)
Grande Tango

MÁRIO LAGINHA (n. 1960)
Concerto para dois pianos nr. 1
Allegro mas nem Sempre
Quase sempre Andante
Sempre Presto

Intervalo

FRÉDÉRIC CHOPIN/LAGINHA
Balada nr.1 op.23 (Mário Laginha solo)

FRÉDÉRIC CHOPIN (1810-1849)
Balada nr.1 op.23 (Pedro Burmester solo)

CLAUDE DEBUSSY (1862-1918)
Prelude a l’aprés midi d’un faune

MAURICE RAVEL (1875-1937)
La Valse

Unidos por uma formação musical clássica, Mário Laginha e Pedro Burmester enveredaram por carreiras diferentes – Laginha mais próximo do jazz e cultor da fusão e recriação de múltiplas músicas do mundo, Burmester mais orientado para a interpretação de um repertório clássico nos seus vários formatos, do concerto a solo até atuações com grande suporte orquestral.
Há um pouco mais de 20 anos, os dois pianistas uniram inclinações musicais, experiências e gosto pelo risco, e iniciaram uma colaboração cimentada por uma amizade e grande cumplicidade de que resultou um disco (Duetos, 1994), muitos concertos um pouco por todo o mundo e, alguns anos depois, a participação no projeto 3Pianos, com Bernardo Sassetti.
O repertório deste concerto de Mário Laginha e Pedro Burmester inclui, o Concerto para Dois Pianos de Mário Laginha, a Balada n. 1 op. 23 de Chopin na sua abordagem clássica (Pedro Burmester a solo) e na versão de Mário Laginha (solo) incluída no CD “Mongrel”, o “Grande Tango” de Astor Piazzolla, o “Prelude a l’aprés midi d’un faune” de Debussy e “La valse” de Maurice Ravel.

Mecenas: Quinta do Perdigão e Farmácia Marques


Biografias

MÁRIO LAGINHA
Com uma carreira que leva já mais de duas décadas, Mário Laginha é habitualmente conotado com o mundo do jazz. Mas se é verdade que os primórdios do seu percurso têm um cunho predominantemente jazzístico – foi um dos fundadores do Sexteto de Jazz de Lisboa (1984), criou o decateto Mário Laginha (1987) e lidera ainda hoje um trio com o seu nome -, o universo musical que construiu com a cantora Maria João é um tributo às músicas que sempre o tocaram, a começar pelo jazz e passando pelas sonoridades brasileiras, indianas, africanas, pela pop e o rock, sem esquecer as bases clássicas que presidiram à sua formação académica e que acabariam por ditar o seu primeiro e tardio projecto a solo, inspirado em Bach (Canções e Fugas, de 2006).
Mário Laginha tem articulado uma forte personalidade musical com uma vontade imensa de partilhar a sua arte com outros músicos e criadores. Desde logo, com Maria João, de que resultou um dos projectos mais consistentes e originais da música portuguesa, com mais de uma dezena de discos e muitas centenas de concertos em salas e festivais um pouco por todo o mundo (festivais de Jazz de Montreux, do Mar do Norte, de San Sebastian, de Montreal… ).
Em finais da década de oitenta iniciou uma colaboração, que se mantém até hoje, com o pianista clássico Pedro Burmester, com quem gravaria um disco, e que seria alargada a Bernardo Sassetti em 2007 no projecto “3 pianos”, com a gravação de um CD e um DVD, além de uma dezena de concertos com fortíssima repercussão na crítica e no público. Até ao seu inesperado desaparecimento, Bernardo Sassetti foi, de resto, um parceiro e cúmplice de Mário Laginha em muitas dezenas de concertos e em dois discos gravados, o último dos quais dedicado à música de José Afonso.
Com uma sólida formação clássica, Mário Laginha tem escrito para formações tão diversas como a Big Band da Rádio de Hamburgo, Big Band de Frankfurt, a Orquestra Filarmónica de Hannover, Orquestra Metropolitana de Lisboa o Remix Ensemble da Casa da Música, o Drumming Grupo de Percussão e a Orquestra Sinfónica do Porto. E tem tocado, em palco ou em estúdio, com músicos excepcionais como Wolfgang Muthspiel, Trilok Gurtu, Tcheka, Gilberto Gil, Lenine, Armando Marçal, Ralph Towner, Manu Katché, Dino Saluzzi, Kai Eckhardt, Julian Argüelles, Steve Argüelles, Howard Johnson ou Django Bates. Compõe também para cinema e teatro.
A obra mais recente do trio partilhado com Bernardo Moreira e Alexandre Frazão é “Mongrel”, um trabalho que partiu de temas originais de Chopin, transformados para a linguagem pessoal do pianista. “Iridescente”, gravado na Fundação Calouste Gulbenkian, é a sua última aventura musical com a cantora Maria João.
Colabora desde 2012 com o pianista brasileiro André Mehmari, tendo sido editado um disco em duo, gravado ao vivo, com música original de ambos, contando já com vários concertos no Brasil e em Portugal.
Em finais de 2013, Mário Laginha e o seu Novo Trio com o guitarrista Miguel Amaral e o contrabaixista Bernardo Moreira lançaram “Terra Seca”, um disco que desbrava novos caminhos para o jazz e a música portuguesa.

PEDRO BURMESTER
Pedro Burmester nasceu no Porto. Foi durante dez anos aluno de Helena Costa, tendo terminado o Curso Superior de Piano do Conservatório do Porto com 20 valores em 1981. Posteriormente, deslocou-se aos Estados Unidos onde trabalhou entre 1983 e 1987 com Sequeira Costa, Leon Fleisher e Dmitry Paperno. Paralelamente, frequentou diversas masterclasses com pianistas como Karl Engel, Vladimir Ashkenazi, T. Nocolaieva e E. Leonskaja.
Ainda muito novo, foi premiado em diversos concursos, destacando-se o prémio Moreira de Sá, o 2º prémio Vianna da Motta e o prémio especial do júri no Concurso Van Cliburn nos Estados Unidos.
Iniciou a sua actividade concertística aos 10 anos de idade e, desde então, já realizou mais de 1000 concertos a solo, com orquestra e em diversas formações de música de câmara, em Portugal e no estrangeiro. Participou em todos os festivais de música portugueses. No estrangeiro são de realçar apresentações em La Roque d’ Anthéron, na Salle Gaveau, no Festival de Flanders, na Frick Collection e 92nd Y em Nova Iorque, na Filarmonia de Colónia, na Gewandhaus de Leipzig, na casa Beethoven em Bona e no Concertgebouw em Amesterdão.
São de destacar colaborações com os maestros Manuel Ivo Cruz, Miguel Graça Moura, Álvaro Cassuto, Omri Hadari, Gabriel Chmura, Muhai Tang, Lothar Zagrosek, Michael Zilm, Frans Brüggen e Georg Solti.
Dedicou-se também à música de câmara. Mantém há alguns anos um duo com o pianista Mário Laginha e actuou com os violinistas Gerardo Ribeiro e Thomas Zehetmair, com os violoncelistas Anner Bylsma e Paulo Gaio Lima e com o clarinetista António Saiote. Formou um grupo de pianos e percussões que tem actuado com grande sucesso em diversos festivais e concertos em Portugal.
Em 1997/98 Pedro Burmester actuou em França, na Alemanha, Bélgica, Holanda, no Brasil, Estados Unidos, África do Sul, Canadá e Austrália, onde realizou uma tournée com a prestigiada Australian Chamber Orchestra.
Já gravou uma dezena de CDs. A sua discografia inclui três CD a solo com obras de Bach, Schumann e Schubert, um em duo com Mário Laginha e três gravações com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Em 1998 foi editado um CD a solo com obras de Chopin. Em 1999 gravou as dez sonatas para violino e piano de Beethoven com o violinista Gerardo Ribeiro.
Em 2007, juntamente com Bernardo Sassetti e Mário Laginha editou o CD e DVD “3 Pianos”, gravado ao vivo no Centro Cultural de Belém.
Em 2010 grava e edita a Sonata em Lá Maior, D959 de Franz Schubert e os Estudos Sinfónicos op. 13 de Robert Schumann.
Em Dezembro de 2013 dá um concerto pela primeira vez na Casa da Música, recital que foi gravado ao vivo e editado em Janeiro de 2015.
Foi Diretor Artístico e de Educação na Casa da Música, projecto que ajudou a criar e a implementar.
Atualmente, para além da sua actividade artística, é professor na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) no Porto.

O concerto