Kythar 12.6

11 Dezembro, 2020 pelas 19h00 (sexta)
no Museu Nacional Grão Vasco

Concerto live streaming em: www.musicadaprimavera.pt // Youtube // Facebook

Programa

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)
Aria Variata Alla Maniera Italiana – BWV 989
 
Concerto Italiano – BWV 971
I – ( Allegro )
II – Andante
III – Presto

O Cravo Bem Temperado 1º Caderno
Prelúdio nº 9 em Mi Maior – BWV 854 
Prelúdio nº 10 em Mi menor – BWV 855 
Prelúdio nº 20 em Lá menor – BWV 864 
Prelúdio nº 24 em Si menor – BWV 869  
Prelúdio nº 5 em Ré Maior – BWV 850 
Prelúdio nº 6 em Ré menor – BWV 851 
Prelúdio nº 14 em Fá# menor – BWV 859 
Prelúdio n º 23 em Si Maior – BWV 868 
Prelúdio nº3 em Dó# Maior – BWV 848 

Concerto em Ré menor Bach/Marcello – BWV 974

Ficha Artística

Miguel Amaral – Guitarra Portuguesa
Pedro Rodrigues – Guitarra Clássica

Guitarra Portuguesa, Guitarra Clássica e Johann Sebastian Bach. Eis-nos perante o universo do recital Guitarras Bem Temperadas. Junção aparentemente distante. Fruto talvez da nossa vontade de trazer cada vez mais música para os nossos instrumentos, mas sobretudo, fruto de uma das mais belas características da obra genial em questão: o seu carácter universal, a sua pluralidade. A humildade com que se deixa apropriar. A generosidade com que se sente em casa numa combinação instrumental tão peculiar no que toca à música em questão.
A partir daqui há todo um mundo sonoro em descoberta. As semelhanças com o cravo, com o alaúde e toda uma porta aberta para que esta música se possa ouvir, mais uma vez, como uma novidade.

Notas ao Programa

Aria Variata é, com exceção das partitas corais, a única obra com variações dos tempos de juventude de Bach. De características inusuais e atrativas, com especial relevo para uma expressiva harmonia, as suas variações contêm uma variedade de figuração superior aquela praticada em obras similares neste período. A palavra Aria tem o mesmo significado que tem noutras obras para tecla de compositores como Pachelbel e outros autores do século XVII: uma curta forma binária que serve como para variações, a maior parte compostas por uma figuração rápida e viva.
Em 1731, Bach publica a sua primeira série de obras para cravo sob o título “Clavierübung” (Exercícios para tecla). Este primeiro volume que conta com Seis Partitas para cravo obtém um expressivo sucesso e estimula Bach a continuar esta série de publicações (quatro no total). O segundo volume contém duas obras representativas de géneros instrumentais essenciais deste período: o Concerto e a Ouverture. Cada um deles procura representar, tal como mencionado no título, o italiänischer Gusto e a französische Art. O Concerto BWV 971 integra a fogosidade e impetuosidade associadas ao estilo italiano, bem como o ritornello consuetudinário.
Das Wohltemperierte Klavier (O Teclado Bem-temperado) é, provavelmente, a obra mais famosa de Bach para tecla. Publicada em 1722, Bach descreve assim a sua obra: “Das Wohltemperierte Klavier, ou Prelúdios e Fugas, através de todos os tons e semitons, incluindo aqueles com uma terceira maior ou Ut-Ré-Mi bem como aqueles com uma terceira menor ou Ré-Mi Fá. Para uso e lucro da juventude musical desejosa de instrução, e para o deleite daqueles já qualificados neste estudo, elaborado e escrito por Johann Sebastian Bach.” O Prelúdio em Dó# Maior sugere uma invenção a duas vozes com dois temas distintos que alternam regularmente entre as duas mãos (neste caso, entre as duas guitarras) e o seu brilho denota uma influência da escola violinística italiana. O Prelúdio em Ré Maior é de uma refrescante inspiração harmónica e inicia com uma variação de uma fórmula cadencial simples. Apesar de uma configuração de aparente singeleza, não podemos ignorar, entre outras, a alternância regular entre pontos de dissonância e as sequências modulatórias que nos transportam ao longo desta obra. O Prelúdio em Ré menor é baseado no formato de arpejo e, tal como o Prelúdio em Ré Maior, a voz superior é a voz mais ativa. No entanto, o baixo que nasce como nota pedal, transforma-se gradualmente numa voz cada vez mais independente e adquire uma expressividade própria. O Prelúdio em Mi Maior é uma forma sonata concisa (ou uma larga forma ternária) cuja métrica e figuração sugere uma giga. Por seu turno, as notas pedais, tão características de prelúdios, revelam um carácter quase pastoral e gentil. É possível traçar um paralelo entre o Prelúdio em Mi menor e os Prelúdios em Ré Maior e menor, afinal trata-se novamente de um prelúdio arpejado, embora esta figuração esteja presente na voz inferior. Bach adiciona uma melodia, cuja ornamentação se encontra escrita, e transforma esta obra num Adagio ao estilo italiano. O Prelúdio em Fá# menor recorda, novamente, uma viva invenção a duas vozes. Rapidamente esta vivacidade muda de carácter para, sensivelmente a meio da obra, se transformar numa variação invertida que começa a ser acompanhada por breves acordes de três notas e tal denota uma forte conceção sonora. O material principal do Prelúdio em Lá menor consiste numa forma escrita de mordente e esta figura é estendida ao longo do início através de três repercussões na voz inferior. O Prelúdio em Si Maior é um dos mais curtos prelúdios de toda a coleção, mas assinalável pela sua dimensão interna, sendo composto inicialmente por três vozes seguido uma inversão desta textura na segunda parte e, finalmente, uma preparação candencial com um alargamento a quatro vozes. O Prelúdio em Si menor recorre a uma tonalidade especialmente querida por Bach, basta pensar na Missa em Si menor ou na Sonata para Flauta BWV 1030. Esta obra é a única, em ambos os cadernos de Das Wohltemperierte Klavier, em que Bach inclui o tempo (Andante). O prelúdio é em forma binária e os seus baixos e suspensões sugerem empréstimos de Corelli
 O Concerto em Ré menor BWV 974 é um arranjo do concerto para oboé atribuído a Alessando Marcello numa antologia intitulada “Concerti a cinque”, antologia esta que incluía obras de diversos compositores e que foi publicada em Amesterdão em torno a 1716. Tal como outros concertos Venezianos, é uma obra estilisticamente concisa e comedida e o seu carácter recorda mais uma sonata do que um concerto. Bach usa a sua arte para embelezamento, principalmente do segundo andamento, e como demonstração do potencial dinâmico do cravo.

Biografia

MIGUEL AMARAL
Nasceu no Porto em 1982. O seu primeiro contacto com a música surge aos 6 anos, tendo iniciado o estudo de Piano com a professora Madalena Leite de Castro.
Estudou Guitarra Portuguesa com Samuel Cabral, José Fontes Rocha e Pedro Caldeira Cabral. Iniciou-se profissionalmente em 2005. Para além dos estudos relacionados com a Guitarra Portuguesa, estuda Piano com João Ricardo Fráguas, Formação Musical com António Torres Pinto, Análise, Harmonia e Contraponto com Daniel Moreira, Composição com Dimitris Andrikopoulos e Improvisação e estudo da linguagem do Jazz com Nuno Ferreira. Desde então tem-se apresentado regularmente em recitais em Portugal e no estrangeiro a solo, bem como inserido em agrupamentos de música de câmara ou em programas de música para orquestra. Destas apresentações destaca-se o recital a solo na Casa da Música em 2009, a propósito do qual a crítica lhe destacou a “superioridade de execução” e o “ousado repertório”, onde apresenta obras de Pedro Caldeira Cabral, Ricardo Rocha e Carlos Paredes. O seu trabalho como músico profissional mereceu o aplauso público de Pedro Caldeira Cabral, em entrevista ao Diário de Notícias (in DNartes 16 setembro 2009). De 2010 a 2016, participa no espetáculo Sombras de Ricardo Pais, juntamente com Mário Laginha, Carlos Alves, Mário Franco, Paulo Faria de Carvalho, Raquel Tavares, José Manuel Barreto e os actor Pedro Almendra, Pedro Frias e Emília Silvestre. Este espetáculo, com Música de Mário Laginha e coreografia de Paulo Ribeiro, teve a sua Estreia no Teatro Nacional de S. João no Porto e teve apresentações em Portugal e em vários outros países (França, Brasil, Rússia). Em outubro de 2011 destaca-se o recital na Fundação Gulbenkian, inserido no festival dos 25 anos do Prémio Jovens Músicos, com transmissão em direto na Antena2, onde para além das suas composições, estreia obras de Mário Laginha, Dimitris Andrikopoulos, Daniel Moreira e Igor C. Silva. Ainda em 2011 participa como intérprete na banda sonora do documentário “Nadir Afonso — o tempo não existe” de Jorge Campos, cuja música da autoria de Dimitris Andrikopoulos, é a primeira banda sonora escrita exclusivamente para Guitarra Portuguesa e eletrónica. Em 2012 destaca-se o recital “Armandinho, Paredes e Rocha”, estreado a 1 outubro no Teatro Nacional de S. João, com encenação de Nuno Carinhas, onde aborda o repertório mais tradicional da Guitarra Portuguesa, apresentando obras de Armandinho, Carlos Paredes e José Fontes Rocha.
No ano de 2013, lança “Chuva Oblíqua”, o seu álbum de estreia, inteiramente dedicado ao repertório solista que tem vindo a desenvolver.
Ainda em 2013, forma com o pianista Mário Laginha e o contrabaixista Bernardo Moreira o Novo Trio de Mário Laginha, tendo gravado ainda nesse ano o disco Terra Seca. Escreve para este disco a peça “Fuga para um dia de Sol”. Esta formação tem-se apresentado regularmente a nível mundial.
Em 2015, leva o recital Armandinho, Paredes e Rocha, ao Festival Culturel Maghrebian de Musique Andalouse, em Argel. Destaca-se ainda a participação na estreia mundial da obra “Folk Songs” de Mário Laginha, para Orquestra, Piano, Voz e Guitarra Portuguesa, na Philharmonie du Luxemburg, com Cristina Branco e Mário Laginha, sob a direção de Peter Rundel. No mesmo ano participa no recital “Fado Barroo”, sob a direção de Marcos Magalhães, com Ana Quintans, Ricardo Ribeiro, Marco Oliveira e a Orquestra Barroca de Helsínquia, no Helsinki Music Center. Por encomenda de Marcos Magalhães, compõe para este programa a peça Luz de outono, para Orquestra Barroca e Guitarra Portuguesa.
Destaca-se também, em maio, a participação no disco “Severa — fado de um fado, com a soprano Ana Barros e o pianista Bruno Belthoise, para o qual compõe a peça “Transfiguração” para Guitarra Portuguesa solo. A partitura desta obra veio a ser editada pela “Ava musical editions”. Ainda em 2015, inicia o curso de Mestrado em Composição e teoria musical, na ESMAE — Escola Superior de Música Artes e Espetáculo.
Em 2016 “Fado Barroco” é apresentado da Fundação Calouste Gulbenkian. Daí resulta uma gravação ao vivo, editada pela editora Naxos. Em maio de 2017, volta a tocar “Folk Songs” de Mário Laginha, desta vez com a Antwerp Symphony Orquestra, sob a direção de Dirk Brossé.
Em dezembro de 2017 integra a comitiva do Governo Português na deslocação à FIL — Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México. Toca a solo na cerimónia de passagem de testemunho para o ano Português. É licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa.

PEDRO RODRIGUES
“Rodrigues’ guitar work is
really outstanding throughout!”

– Classical Guitar Magazine
Vencedor do Artists International Auditions (Nova Iorque), Concorso Sor (Roma), Prémio Jovens Músicos e premiado nos concursos de Salieri-Zinetti, Paris, Montélimar, Valencia, Sernancelhe entre outros, Pedro Rodrigues iniciou o seu percurso musical aos 5 anos de idade, tendo estudado com José Mesquita Lopes na Escola de Música do Orfeão de Leiria onde terminou os estudos com a classificação máxima como bolseiro da Fundação CalousteGulbenkian. Posteriormente estuda com Alberto Ponce na École Normale de Musique de Paris onde recebe os Diplomas Superiores de Concertista em Música de Câmara e Guitarra, este último com a classificação máxima, unanimidade e felicitações do júri.
Participou em masterclasses com David Russell, Leo Brouwer, Joaquin Clerch e Darko Petrinjiak. Sob a orientação de Paulo Vaz de Carvalho e Alberto Ponce concluiu em 2011 o Doutoramento na Universidade de Aveiro como bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Apresentou-se a solo em salas reconhecidas internacionalmente como o Weill Hall do Carnegie Hall de Nova Iorque, a Salle Cortot de Paris, National Concert Hall de Taipei, Ateneo de Madrid, Sala Manuel de Falla de Madrid, Endler Hall de Cape Town, India International Centre de New Delhi, Sala Raúl Juliá de San Juan, Centro Cultural de Belém, Casa da Música, o Grande Auditório da Fundação Gulbenkian e os festivais de Mikulov, Paris, Santo Tirso, Música Viva, Sernancelhe, Caruso Festival, Miguel Llobet, Forfest Kromeriz, Vital Medeiros entre outros. Estreou mais de 60 obras dos mais importantes compositores portugueses como João Pedro Oliveira, Cândido Lima, Isabel Soveral, Sara Carvalho, Sérgio Azevedo, José Luís Ferreira, António Sousa Dias, Carlos Caires entre outros. Muitas destas obras foram-lhe dedicadas.
Fez gravações para RTP, RDP, RTM, SABC, Cesky Rozhlas, WIPR e gravou discos com as editoras Numérica, Nuova Venezia, Portugaler, Slovartmusic e JNS Music e foi solista com a Orquestra Gulbenkian, Filarmonia das Beiras, Orquestra do Algarve, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras entre outras. É igualmente convidado com regularidade para lecionar masterclasses em conservatórios e universidades na Europa, América do Norte e Sul, África e Ásia. As suas transcrições e edições estão editadas pela Mel Bay Publications, AVA Editions e Notação XXI. Como investigador, proferiu conferências em Inglaterra, Brasil e Portugal dedicadas às temáticas da transcrição, música contemporânea e educação. Recentemente criou e apresentou o programa “Seis Cordas Para Um País” transmitido na Antena 2. Presentemente é Investigador Integrado do INET-md e Professor Auxiliar no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro