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Richard Galliano com Yamandú Costa

26 Abril, 2017 pelas 21h00 (quarta-feira)
no Instituto Politécnico de Viseu, Aula Magna


Entrada: 5€

Programa

1.ª parte
R. Galliano

2.ª parte
Yamandú Costa

3.ª parte
R. Galliano com Yamandú Costa

Biografias

RICHARD GALLIANO
Parece nunca ter existido um artista de vulto, no passado, associado ao acordeão. Um instrumento que, devido às suas conotações, parecia estar o mais retirado possível dos grandes palcos. Então aparece Richard Galliano, movido por uma grande determinação em comprovar a sua convicção de que o acordeão era digno de ter um lugar no coração do jazz ao lado do saxofone e trompete. Inspirado pela admiração que sentia pelo seu amigo Astor Piazzolla, criador do Tango Nuevo, Galliano teve sucesso não apenas com essa música, mas com o seu estilo “new musette” conseguiu insuflar uma nova vida numa tradição profundamente francesa, que parecia ter ficado presa.
Filho do professor de acordeão de origem italiana Lucien Galliano, Richard começou a tocar o instrumento com a idade de quatro anos. Ao mesmo tempo em que estudava acordeão, também estudou harmonia, contraponto e trombone no Conservatório de Nice. Foi a descoberta da música de Clifford Brown que o introduziu no jazz, com a idade de 14 anos, e enquanto foi adquirindo o seu próprio estilo de tocar refrões descobriu, para seu espanto, que o acordeão era quase desconhecido neste tipo de música. Galliano, em seguida, interessou-se por acordeonistas brasileiros como Sivuca e Dominguinhos, e descobriu os grandes norte-americanos no campo do de jazz (Tommy Gumina, Ernie Felice e Art Van Damme), e os melhores acordeonistas italianos, Felice Fugazza, Volpi e Fancelli, virando as costas completamente ao estilo tradicional francês. Em 1973, Galliano mudou-se para Paris, impressionando Claude Nougaro. Lá passou três anos como arranjador e maestro, bem como compositor, de um grupo onde tocou ao lado de grandes músicos de jazz. Tocou em inúmeras gravações de artistas franceses famosos como Barbara, Serge Reggiani, Charles Aznavour e Juliette Gréco, e em bandas sonoras de filmes. Desde o início da década de 1980, começou a tocar com maior frequência com músicos de jazz de várias proveniências e a improvisar ao lado de nomes como Chet Baker (no repertório brasileiro), Steve Potts, Jimmy Gourley, Toots Thielemanns, o violoncelista Jean-Charles Capon, com quem gravou o seu primeiro disco, e Ron Carter, com quem trabalhou num álbum em 1990.
Em 1991, seguindo o conselho de Astor Piazzolla, com quem se encontrou em 1983 enquanto trabalhava em música para a Comédie Française, Galliano voltou às suas raízes, e ao repertório tradicional de Valses-Musette, Javas, Complaintes e Tangos que tinha desconsiderado durante algum tempo. Ao assumir a liderança do espírito de Gus Viseur e Tony Murena, conseguiu livrar o acordeão da sua imagem antiquada, trabalhando em ritmo três por quatro e introduzindo um novo conceito rítmico e um novo estilo harmónico adaptado ao jazz. Mostrou a sua nova abordagem com o CD New Musette que gravou com Aldo Romano, Pierre Michelot e Philip Catherine para etiqueta Bleu, ganhando o Prémio Reinhardt Django da Académie du Jazz para “o músico francês do ano” em 1993.
Isso levou Galliano a fazer toda uma série de álbuns onde, toca com a sua marca de acordeãos Victoria, mostrando a sua facilidade em adaptar o instrumento à liberdade do jazz. A sua segurança, domínio do fraseado, e capacidade de obter uma vasta gama de cores no acordeão, fizeram com que ele quebrasse as barreiras musicais com um instrumento que atravessa todos os géneros. Em 1996, cruzou o Atlântico para gravar o seu New York Tango com George Mraz, Al Foster e Biréli Lagrène, um disco que mais tarde lhe rendeu o prémio Victoire de la Musique. Galliano começou a ganhar uma reputação internacional, e seguiram-se uma série de novas colaborações. Criou algumas formações instrumentais fora do comum, reunindo artistas que vão de Enrico Rava, Charlie Haden e Michel Portal (em 1997 o seu disco Blow Up foi um enorme sucesso comercial, vendendo mais de 100.000 cópias), o seu companheiro acordeonista italiano Antonello Salis, e o organista Eddy Louiss, em 2001.
Durante anos tocou em trio com Daniel Humair e Jean-François Jenny-Clarke (de 1993 até a morte do baixista em 1998), voltando novamente a este formato em 2004 com o trio “New York”, formado por Clarence Penn e Larry Grenadier. Colaborou também pontualmente com Jan Garbarek, Martial Solal, Hermeto Pascoal e Anouar Brahem, Paolo Fresu e Jan Lundgren, e Gary Burton, entre outros. Em 1999 apresentou as suas próprias composições, acompanhado por uma orquestra de câmara, juntamente com peças de Astor Piazzolla. Este concerto deu origem à sua homenagem, em 2003, Piazzolla Forever, onde voltou a tocar a música de seu mentor.
Galliano é um músico extremamente versátil, capaz de deixar a sua marca em todos os contextos musicais, quer como solista (como no Concerto de Paris a partir do Châtelet, em 2009), quer a tocar com uma Big Band como a Orquestra de Jazz de Bruxelas, em 2008. As suas habilidades excecionais como solista estão agora bem reconhecidas, e ele continua a explorar uma vasta gama de música sem nunca perder a qualidade lírica que emana das baladas do Love Day que gravou com Gonzalo Rubalcaba, Charlie Haden e Mino Cinelu, ou o toque francês que lhe permitiu fazer a ligação entre Billie Holiday e Edith Piaf, com o trompetista Wynton Marsalis.
Ansiosos por transmitir a sua riqueza de experiências acumuladas, ele e o seu pai Lucien publicaram um método de acordeão que ganhou o prémio SACEM para o Melhor Trabalho Pedagógico em 2009.
Richard Galliano nasceu a 12 de dezembro, 1950 em Cannes, França.fervorosa do público.

YAMANDÚ COSTA
Violonista e compositor nascido em Passo Fundo em 1980, Yamandú começou a estudar violão aos sete anos de idade com o pai Algacir Costa, líder do grupo “Os Fronteiriços”. Foi com Lúcio Yanel, virtuoso argentino radicado no Brasil, que Yamandú Costa se aprimorou. Até aos 15 anos, a sua única escola musical era a música folclórica do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Depois de ouvir Radamés Gnatalli, Yamandú começou a explorar estilos de outros músicos brasileiros, tais como Baden Powell, Tom Jobim ou Raphael Rabello.
Aos 17 anos apresentou-se pela primeira vez em São Paulo no Circuito Cultural Banco do Brasil, produzido pelo Estúdio Tom Brasil, e a partir daí passou a ser reconhecido como músico revelação do violão brasileiro. Um dos maiores fenómenos da música brasileira de todos os tempos, o jovem Yamandú confirma e merece todos os elogios que recebe. A sua criatividade musical desenvolve-se livremente sobre uma técnica absolutamente aprimorada que explora todas as possibilidades do violão de sete cordas.
Revelando uma profunda intimidade com o seu instrumento e com uma linguagem musical sem fronteiras, percorreu os mais importantes palcos do Brasil e do mundo. Durante o seu percurso participou em grandes festivais e encontros e venceu muitos dos mais relevantes prémios da música brasileira.
Em 2010, o CD “Luz” da Aurora com Hamilton de Holanda foi indicado para o Grammy Latino. Em 2012 ganhou em Cuba o Prémio Internacional Cubadisco pelo CD “Mafuá” e uma Menção do Prémio ALBA pelo CD “Lida”.
Para lá dos inúmeros CD’s que vai editando em nome próprio, Yamandú Costa participa em várias edições de companheiros musicais e constrói parcerias, como é o caso do espetáculo ao vivo que originou o CD e DVD com Hamilton da Holanda ou o CD que gravou com Rogério Caetano.
Nos últimos dois anos, Yamandú Costa participou também em dois DVD’s, em 2015 Jobim Jazz ao Vivo – Mario Adnet – Label: Biscoito Fino (Brasil) e o DVD do filme Dominguinhos, em 2016 CD&DVD “Ao Vivo em Copacabana” do Trio Madeira Brasil.
O seu último CD “Concerto de Fronteira” foi lançado em 2015, com a Orquestra de Estado de Mato Grosso – Kuarup.
Yamandú já se apresentou em inúmeros países e diferentes locais do globo, nomeadamente: França, Portugal, Espanha, Bélgica, Alemanha, Itália, Áustria, Suíça, Holanda, Suécia, Noruega, Finlândia, Estónia, Eslovénia, Rússia, Lituânia, Sérvia, Grécia, Macedónia, Israel, Chipre, Índia, China, Japão, Coreia do Sul, Zimbabue, Cabo Verde, Emirados Árabes, Austrália, E.U.A., Canadá, Equador, Cuba, Colômbia, Chile, Argentina e Uruguai.

Mecenas: Dietsaúde e Litocar

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O concerto em fotografias